Primeira semana na casa da família
Eu estava muito nervosa no voo de NY para California. Na minha cabeça passavam diversos pensamentos e eu tava sentindo uma mistura de muitas coisas. Estava prestes a conhecer a família que ia me acolher pelos próximos 12 meses. Será que eu ia gostar deles? Será que eles iam gostar de mim? Será que eu ia me sentir confortável? Será que ia ficar estranho quando eu encontrasse eles? Será que as crianças iam me aceitar? Será que eu vou conseguir? Será que eu vou morrer de saudade e querer voltar para a minha família? Será que eu vou fazer amigos? Será que meu inglês é bom suficiente? Será? Será? Será?
Quanta dúvida! Quanto medo! Eu tremia quando saí do avião (primeiro por que eu tava louca pra fazer xixi... vim na janela com duas mulheres do meu lado e elas dormiram o voo inteiro.. não tive como pedir pra sair)... mas também por que eu sabia que o Adam (o pai das crianças que cuido) estava chegando para me buscar. E será que eles estavam tão nervosos quanto eu? Eles estavam sim....
Fui pegar a minha mala e enquanto esperava por ela, tentava me preparar para o momento de encontrá-los. Eu achei que fosse pegar a mala, sair por uma portinha e encontrar ele esperando por mim... mas ai, quando eu menos esperei, ouvi alguém dizer "Julia" com um sotaque que eu já tinha ouvido antes. E ai surgiu um Adam atrás de mim, com um lindo cartaz em formato de coração (feito pelas crianças) escrito "Bem Vida Julia"... coisinha mais fofa. Minha reação foi abrir os braços para abraçá-lo... e graças a Deus fui retribuída. hahahaha Ele é bem mais alto do que parecia pelo vídeo...
Foi naquele momento que meu ano realmente começou. E eu não estava sonhando.
Demoramos uns 20 minutos para chegar em casa. Passamos o caminho todo conversando. Meu medo de ser estranho e ficarmos meio sem assunto, não aconteceu. Não foi estranho. Eu me senti muito bem o tempo todo. Quando chegamos em casa, encontrei Toral (mãe das crianças) me esperando na porta. Dessa vez quem abriu os braços primeiro foi ela... e parece que ela estava esperando por aquele momento tão ansiosa quanto eu. Talvez até mais que eu.
De repente eu percebi que isso tudo não é apenas uma grande mudança para mim, mas é uma grande mudança para eles também. Todos eles. Até o cachorro. Eles passaram meses se preparando para a minha chegada. Em cima da minha cama tinha uma cesta com algumas coisas que ela tinha comprado pra mim (pijama, pantufa, shampoo e condicionador, uma garrafinha de água e um cachecol).
Eu cheguei em casa um pouco tarde, então não conversamos muito. Ela me mostrou um pouco da casa e me deixou super a vontade para pegar o que quisesse na geladeira. Eu só quis água mesmo. Vim para o quarto e apaguei.
Acordei às 5 da manhã devido a diferença de fuso e não consegui dormir mais. 5:30 já ouvi passos no corredor das crianças indo ao banheiro. Eles também estavam ansiosos para me ver. Eu fiquei no quarto até quase 7:30 me preparando para sair e encontrar com eles. Eu tava nervosa para esse momento.
Encontrei Adam e os dois maiores na sala assistindo jogo de futebol. O menino nem falou comigo direito e a menina meio tímida, quis ficar no colo do pai. Mas, em dois minutos, ela começo a querer me mostrar alguns brinquedos... e, de repente, ela já tava toda atirada para cima de mim.
O meu primeiro final de semana com eles foi ótimo! A Kira ficou super agarrada comigo, querendo brincar o tempo todo. O Soren me chamou para andar de bicicleta pela vizinhança com ele e, apesar de estar gripada e ter tido febre na madrugada, eu não tive como negar. Sim, tive febre e fiquei muito gripada. Foi tenso.
Minha primeira semana foi muito tranquila. Fui aprendendo como é o dia a dia deles, como eles lidam e educam as crianças, como é a rotina do bebê, como é a alimentação da casa...etc. Na quinta feira foi o primeiro dia que fiquei em casa sozinha com o bebê e ele é um anjinho, então foi muito tranquilo. Desde a primeira semana eu já quis começar a fazer o que tinha que fazer.
Toda noite um dos pais faz o jantar e comemos todos a mesa. As crianças aqui são muito mais independentes do que muitas que já convivi no Brasil. Eles ajudam bastante também. E eu tive que me acostumar a ideia de não precisar fazer tudo para eles e deixar que eles façam também. Como colocar a mesa do jantar, por exemplo, e recolher os pratos após a refeição.
Enfim.... minha primeira semana com eles fez eu sentir como se tivesse aqui há muito mais tempo. Como se os conhecesse há mais tempo. Ontem à noite eu sai com umas meninas do Brasil que conheci aqui e, antes de eu sair, os dois vieram me dar um abraço muito gostoso e sincero. Naquele momento eu senti que estamos mesmo construindo um laço forte. Com criança é tudo tão rápido, né? O menino, principalmente, que sempre se escondia de mim no skype e mal quis falar comigo quando eu cheguei... agora chega da escola e me abraça, me abraça quando acorda.... ele gosta de mim.
E a Kira, a menininha.... no meu primeiro dia aqui ela disse "Eu não acredito que você ta aqui mesmo." Fui buscar ela na escola na minha primeira segunda feira aqui e quando ela me viu dentro do carro, saiu correndo gritando "Julia, Julia, Julia".... ai meu Deus... eu amo criança. <3
Bem, não da para contar todos os detalhes de como foi. Mas dá para contar que foi muito melhor do que eu imaginava que ia ser. Eu me senti muito bem. Eu me sinto bem. Eu me sinto em casa. Eles são muito legais comigo. Eles estão sempre perguntando se eu preciso de algo, se eles podem fazer algo por mim... Eu sinto que estou em um lugar seguro com eles.
Ain, que sorte que eu dei de ter vindo para essa família.
Espero que continue assim. :)
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