Será coincidência...?
Esta é uma história de amor
com um final feliz. Porém, não é uma história de um único amor e a felicidade
demorou um pouco para chegar e fazer morada.
Olívia era uma mulher muito
bonita. Alta, cabelos castanho-claros ondulados e olhos verdes sedutores. Sempre
teve um corpo de fazer inveja nas outras mulheres e um sorriso que encantava
qualquer homem. Todos que a conheciam se encantavam com sua simpatia e seu
jeito de ser. Nunca foi muito estudiosa, mas sempre passou de série sem repetir.
Escolheu seguir carreira de psicologia, por sempre ser uma amiga excepcional e perceber
que ajudar os outros era o que mais lhe fazia feliz. Apesar de, na maioria das
vezes, não conseguir ajudar a si mesma.
Otávio era um homem alto e
moreno, com os olhos castanhos e corpo definido. Sempre foi um menino muito
estudioso e dedicado. Trabalhava com o pai nas horas vagas ajudando-o a cuidar
da loja de mecânica. Seu maior sonho sempre foi ser músico, mas nunca teve
muito apoio dos pais, que diziam que aquilo não lhe daria dinheiro. Sendo
assim, escolheu fazer engenharia e continuar trabalhando com o pai até
conseguir um emprego na área. Apesar de tudo, continuava aprendendo música nas
horas vagas. Era o que mais lhe dava prazer.
Ainda adolescente, Olívia
conheceu um rapaz um pouco mais velho. Ele a chamou para dançar num baile de
carnaval e os dois se encantaram um com o outro. Era um pouco mais alto que ela
e tinha os olhos azuis da cor do mar. Ela sempre dizia que homens morenos eram
mais bonitos, mas aquele loiro havia feito ela se apaixonar à primeira vista.
Quando eles começaram a
namorar, Olívia tinha certeza de que aquele era o homem de sua vida. Eles
viajavam nos finais de semana, saiam para jantar, iam ao cinema,
teatro...faziam tudo juntos. O tempo foi passando e eles começaram a brigar por
tudo e qualquer coisa. Terminavam, voltavam, terminavam, voltavam, terminava de
novo. Em todas as vezes Olívia dizia: dessa vez vai ser pra sempre! Até que ele
chegava com uma rosa na mão e ela se derretia toda de novo.
Ele e ela se apaixonaram por
outras pessoas, namoraram outras pessoas. Ele teve duas filhas com uma mulher
que chegou a ser sua esposa por 3 anos. Ela teve uma filha com um homem que
namorou por 6 meses. Olívia se desesperou para criar a criança sozinha. O pai
da menina se mandou sem nem querer saber quando ia nascer.
Alguns anos depois ele a
pediu em casamento. Quando ela achou que todos os problemas fossem terminar,
mal sabia que estavam apenas começando. Ele se mostrou um homem extremamente
ciumento e vingativo. Cheio de rancor e ódio no coração. Gritava com ela,
faltava pouco batê-la. As filhas nem gostavam de frequentar a casa do pai. Então,
depois de sete anos de tanta tortura, Olívia resolveu dar um fim.
Enquanto isso, Otávio vivia
sua vida de uma maneira completamente diferente. Formou-se na faculdade,
começou a trabalhar e se dedicou aos estudos. Saia para tocar seu violão nos
barzinhos à noite, quando podia. Teve um caso ou outro de vez em quando, mas
nunca conseguiu nada que durasse mais de um ano ou dois. Um dia pensou ter
visto a mulher de sua vida num desses bailes, mas a moça não tirava os olhos de
outro cara. Ele não conseguia encontrar a mulher certa. Até que, um dia, saindo
do trabalho às pressas para tocar num bar que pagava bem, ele esbarrou numa
moça muito bonita que fez com que ele perdesse todos os sentidos. Ela tinha o
cabelo preto e muito liso e os olhos eram extremamente expressivos e grandes.
Era uma mulher baixinha e um pouco estabanada. Por coincidência ou não, eles
estavam indo para o mesmo lugar. Naquela noite, Otávio descobriu o amor. Ele não
quis perder tempo e algumas semanas depois eles já estavam namorando e um ano
depois eles estavam casados e esperando um menino.
Diferente de Olívia, ele
teve um casamento feliz. Porém, esse casamento terminou depois de 12 anos,
quando a mulher morreu vítima de um atropelamento. O carro que causou o
acidente era uma picape e vinha a todo vapor na rua. Ela morreu na hora.
Otávio ficou desolado e sem
rumo. A única coisa que o manteve vivo e bem, foi o pequeno menino de 11 anos
que acabara de perder a mãe. Se um menino ia ter que viver a vida sem a mãe,
então ele poderia viver a vida sem a mulher.
Alguns anos se passaram e
Otávio e Olívia seguiam vivendo suas vidas, sem saber que um dia haviam se
encontrado e sem nem imaginar que um dia se reencontrariam.
Era final de Agosto e a
noite estava muito bonita. Olívia quis sair de casa para dançar, pela primeira
vez em muito tempo. Chamou alguns amigos e saiu para um lugar com música ao
vivo. Já não tinha mais o mesmo pique daquela menina que era quando conheceu um
rapaz no baile de carnaval, mas era uma mulher com quase 50 anos, cheia de
vontade de viver e com muito samba no pé. Ela dançou, dançou, dançou, dançou...
Eu poderia dizer “Por coincidência”, era Otávio quem tocava e
cantava todas as músicas que a faziam dançar. Não era coincidência, era
destino. E, desde que ela pisou na pista de dança, ele não conseguiu olhar para
mais ninguém. Lá no fundo, ele sabia que já tinha visto aquela mulher, que um
dia foi menina. Era ela a mulher da vida dele. Ela quem não tirava os olhos de
um rapaz enquanto tudo que ele queria era uma atenção naquele baile de
carnaval.
No final da quinta música,
ele resolveu fazer uma pausa proposital para poder se apresentar a Olívia. Eu
poderia dizer em detalhes tudo que eles falaram naquela noite, mas ai o texto
sairia grande demais. Olívia não tinha reparado nele naquele baile de carnaval
há uns 30 e poucos anos atrás, quando ainda eram adolescentes. Ela deixou de
olhar para o homem que faria ela feliz por todos os dias, para se apaixonar por
um homem que a fez sofrer mais que sorrir. Eles conversaram por horas e horas e
se descobriram em pouco tempo. Quando ela soube que ele estava no baile, em
nenhum momento se arrependeu do que fez, por que sabia que não era o momento
deles ainda. Otávio contou que era viúvo, por que sua esposa morrera atropelada
e descobriu que o homem que a atropelara era marido de Olívia. Ela não foi ao
enterro, pois eles tinham acabado de se separar. O homem se culpa todos os dias
por ter matado alguém, mas isso fez com que ele fosse alguém melhor. E só
depois de perder a mulher que amava, ele aprendeu a dar valor ao amor.
Os dois descobriram que
moram no mesmo bairro há anos e nunca se esbarraram por lá.
E quando ela disse:
- Talvez tenhamos nos
encontrado na padaria por acaso e nem reparado.
Ele respondeu.
- Seria impossível não
reparar. Durante a vida inteira estivemos por perto, porém sempre longe. Acho
que agora é a hora de ficarmos por perto e pra sempre perto. O que acha?
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